ADMINISTRAÇÃO  


Capacidade de produção cuchê ( 14/12/2012 )

Capacidade máxima de produção pode atender até 60% do consumo de cuchê

Se as fábricas produzissem em plena capacidade, a produção nacional de cuchê seria em torno de 330 mil toneladas ao ano, o suficiente para atender a - no máximo - 60% do consumo, de cerca de 550 mil toneladas. Com a produção nacional abaixo do patamar de 300 mil toneladas de cuchê, a indústria de transformação fica ainda mais dependente das importações.
Muito se especula sobre o tamanho do mercado de papel cuchê. Por isso, a ANDIPA analisou dados disponíveis dos anos anteriores que permitem ter a real dimensão deste importante segmento do setor papeleiro e da economia nacional.
Atualmente, a produção de cuchê no Brasil depende de três fabricantes, Suzano, Ahlstrom e Oji Papéis. A primeira tem capacidade para produzir 190 mil toneladas de papel revestido, sendo 90 mil toneladas na unidade Suzano e 100 mil toneladas na unidade Limeira, conforme consta no portal da companhia nas relações com investidores (última atualização em 20 de junho de 2011). No entanto, o volume efetivamente produzido no ano passado foi de 163 mil toneladas, como informado na página 21 do Relatório de Sustentabilidade 2011, da Suzano Papel e Celulose.
A Ahlstrom também não opera em plena capacidade, que é de 100 mil toneladas de cuchê. Segundo fontes da empresa, a produção anual fica em torno de 60 mil toneladas de cuchê e se restringe ao tipo L1, decisão tomada em função das condições do mercado.
A terceira produtora de cuchê é a fábrica de Piracicaba, atualmente comandada pela Oji Papéis, onde foram produzidas cerca de 50 mil toneladas de cuchê em 2010, ainda como unidade da Fibria. Em setembro de 2011, o grupo japonês Oji assumiu a fábrica de papéis especiais, iniciando suas operações no setor de papel no Brasil e “por uma estratégia de negócio focou seus esforços para o mercado de papel térmico”.
Resguardada como informação estratégica, a Oji Papéis não confirma sua capacidade especifica de cuchê, mas informou que “apenas transferiu a sua produção de papel cuché L2, para a fabricação de papel cuché L1 – Uniside e papel base para térmico, focando nossos esforços para alcançar 60 mil t/ ano de papel térmico até o fim de 2013”. Considerando a capacidade produtiva total de 120 mil toneladas de papel por ano – entre cuchê, térmicos e autocopiativos – especialistas do mercado estimam que produção máxima de cuchê desta unidade gire em torno de 40 mil toneladas ao ano.
Em 2010, juntas, as fábricas instaladas no País produziram 295 mil toneladas de papel revestido, conforme Relatório Conjuntura Setorial, da Bracelpa, nº 27, última edição em que foram divulgados os números detalhados por especificação de papéis de imprimir e escrever. Desde então, o relatório publicado pela associação dos fabricantes informa apenas o total geral, que engloba os papéis com e sem pasta, revestidos e não revestidos, em diversos formatos.
No mesmo ano, as importações somaram 363,5 mil toneladas, enquanto as exportações de cuchê totalizaram 43 mil toneladas, conforme dados apurados (em dezembro de 2012) no Sistema AliceWeb, da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). Os papéis cuchês são classificados em quatro NCMs – Nomenclatura Comum do Mercosul – de acordo com suas especificações – 4810.13.89, 4810.13.90, 4810.19.89 e 4810.19.90.
Considerando a produção (295 mil toneladas) mais as importações (363,5 mil toneladas) e descontando as exportações (43 mil toneladas), em 2010, o consumo aparente de papel cuchê no Brasil foi 615,5 mil toneladas. Vitor de Andrade, presidente da ANDIPA, observa que 2010 foi um ano de economia aquecida, com câmbio favorável às importações, que provavelmente representaram estoques mais altos no final do ano. Mesmo assim, é possível extrapolar o resultado daquele ano e estimar o tamanho do mercado de cuchê atual.
Para isso, há de se considerar os indícios de que parte do papel importado como cuchê corresponde a papel cartão, uma fraude deliberada que utiliza a imunidade tributária destinada exclusivamente a papéis com fins editoriais – livros, jornais e periódicos. De difícil comprovação que não seja pela fiscalização efetiva, esta prática se limita pela própria demanda.
A ANDIPA avalia que este ilícito seja restrito às operações com cuchê de alta gramatura – enquadradas no NCM 4810.19.89. No ano passado, as importações nesta nomenclatura somaram 91,8 mil toneladas, de acordo com a Secex. Com base no comportamento das vendas dos vários tipos de cuchê, a Associação estima que, deste total, 32 mil toneladas sejam de fato de cuchê de alta gramatura e a diferença (cerca de 60 mil toneladas) corresponda a cartão disfarçado de cuchê.
Desta forma, podemos considerar que a produção gráfica e editorial no Brasil consume anualmente, em média, 550 mil toneladas de papel cuchê. Dos quais, no máximo, 330 mil toneladas poderiam ser produzidas em máquinas instaladas e em operação no País.

 
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