ADMINISTRAÇÃO  


Editorial lidera déficit comercial ( 20/06/2013 )

Editorial lidera déficit comercial, com 33% das importações gráficas

Um terço do valor das importações de impressos corresponde a produtos editoriais, especialmente livros, brochuras, jornais e periódicos. De acordo com os dados apurados, no primeiro trimestre deste ano as importações destes itens somaram US$ 43,4 milhões, enquanto as exportações totalizaram US$ 5,2 milhões, deixando saldo negativo de US$ 38,2 milhões, 61,5% do déficit total do setor gráfico (US$ 62,14 milhões).
Convertendo em volume, as compras externas de produtos editoriais representaram 5,7 mil toneladas. Descontadas as 350 toneladas referentes às vendas, o déficit foi de 5,4 mil toneladas.
Entre os itens editoriais, a relação de preço médio entre importação e exportação se inverte, de modo que os produtos brasileiros saem mais valorizados (US$ 14.822 por tonelada) do que os adquiridos no mercado externo (US$ 7.527 por tonelada).
O consolidado anual registrou crescimento de 2% no valor das exportações e queda de 4% nas importações de produtos editoriais. Porém, esses percentuais não afetam o saldo do segmento, que seguiu deficitário em 2012, com US$ 160,7 milhões, 5% menor que os US$ 169,4 milhões de 2011.
Considerando o volume anual, as importações de impressos editoriais recuaram 22,8%, de 34,8 mil toneladas em 2011 para 26,9 mil toneladas internalizadas no ano passado. Com a exportação se mantendo na faixa das 2 mil toneladas, o saldo negativo no volume negociado com o mercado externo também foi menor no período, totalizando 32,6 mil toneladas em 2011 e 24,6 mil toneladas no ano seguinte.
Focando apenas o primeiro trimestre, as importações este ano continuaram aquém de 2012. Os dados mostram queda de 3,8% nos valores e 4% no volume das entradas de produtos editoriais. As exportações também caíram no período, totalizando valor 33% abaixo de 2012, para a venda de volume 59% menor.
Promocional
Também fortemente ligado ao setor de distribuição de papel, o segmento de impressos promocionais é outro com predomínio das importações sobre as exportações. Mesmo diante da redução de 2% no volume, os gastos com a compra destes produtos cresceram 14,3% no primeiro trimestre do ano comparado a 2012. Já as vendas externas seguiram em baixa, deixando saldo negativo de US$ 10,6 milhões. Nos três meses deste ano, os impressos estrangeiros corresponderam a 19,6 mil toneladas, sendo 1,3 mil tonelada de promocionais.
No resultado anual, as importações destes itens cresceram 10,3%, com entradas em discreta queda, deixando déficit de US$ 34,2 milhões em 2012, saldo 15,4% maior que no ano anterior.
Impactos
O mercado gráfico brasileiro é sensível às oscilações de oferta e demanda globalizadas, seja no produto acabado ou nos insumos, como o papel. Exemplo dessa relação tênue é o aumento da alíquota de importação de papéis destinados à impressão, como relatou Wagner Silva, gerente geral da Abigraf Nacional, convidado da audiência de maio do Conselho do Comércio Atacadista da Federação do Comércio (FecomércioSP). O imposto maior, segundo o executivo, “agravou o saldo comercial e a competitividade do setor”.
Outro fator crucial é a “invasão chinesa de livros no Brasil”, atingindo inclusive o programa nacional do livro didático, que representa 60% do mercado editorial, conforme ressaltou Wagner Silva.
O chamado Custo Brasil também aparece como um agravante na perda de competitividade do setor como um todo, forçando os empresários a buscar o mercado externo. De acordo com o executivo, exemplo é a situação de gráficas da região sul do país que focam nas exportações aos países vizinhos, deixando de atuar em São Paulo, que é o maior centro consumidor. Por esta razão, a Argentina foi o principal destino das exportações gráficas no primeiro trimestre deste ano, movimentando US$ 10,18 milhões.
Vale ressaltar ainda que nem toda a exportação de produtos gráficos, em especial editoriais, corresponde a itens de fabricação nacional, assim como parte da importação não fica no consumo interno. O gerente da Abigraf observou que há casos de editoras importadoras que concentram no Brasil suas operações para a América Latina, contratam impressões no exterior e daqui redistribuem, provocando entradas e saídas na balança comercial do setor. “Como reflexo deste cenário temos o não investimento e o fechamento de postos de trabalho no setor gráfico”, avalia o executivo, elencando os esforços da entidade para solucionar os gargalos, enquanto apoia e incentiva a participação da indústria brasileira no mercado internacional.

 
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