ADMINISTRAÇÃO  


Relatório mostra queda no faturamento publicitário de jornais e ( 25/11/2013 )

O volume do investimento publicitário em mídia tem apresentado oscilações que evidenciam tanto o momento de crise econômica, como o novo tempo das comunicações, influenciado pelas tecnologias, mas ainda baseado nas mídias tradicionais – televisão e impressos. Apesar disso, as verbas de propaganda aplicadas nos jornais e revistas este ano são menores que em 2012.
De acordo com dados do Projeto Inter-Meios, o segmento com maior fatia de faturamento publicitário é a televisão, que abocanhou 64,7% do faturamento bruto de R$ 30,2 bilhões movimentados em 2012. A publicidade em jornais foi a segunda maior, respondendo por 11,24% do bolo naquele ano. Em terceiro lugar, o meio revista atingiu 6,38% de participação. A internet apareceu logo após, responsável por 5,03% do total, um percentual que esconde a realidade do mercado por ainda não incluir as informações das gigantes do setor: Google e Facebook, além do Buscapé. A lista de meios para veiculação publicitária inclui ainda TV por assinatura, rádio, mídia exterior, guias e listas e cinema.
Mesmo mantendo suas fatias de mercado, os veículos de mídia impressa perderam fôlego nos últimos dois anos, enquanto o faturamento total do ano passado aumentou 5,98% ante o valor de 2011, como mostra o relatório. Nas revistas, a receita publicitária diminuiu 5,43% no mesmo período. Já o meio jornal conseguiu elevar o faturamento em 0,67% de um ano para o outro.
2013
Os dados deste ano mostram o mesmo cenário, mantendo a participação no mercado de cada meio, com recuo na mídia impressa. O desempenho na primeira metade do ano e o comportamento da economia levaram os participantes do projeto a rever a previsão de crescimento anual. Estimado inicial-mente em 6,5%, o índice esperado agora caiu para 4,5%. Ou seja, o desempenho será negativo quando for descontada a inflação anual, prevista em cerca de 6% para 2013.
Entre janeiro e julho, as revistas viram o faturamento publicitário encolher 7,68%, somando R$ 931 milhões contra o montante de R$ 1 bilhão da parcial de 2012.
Já os jornais informaram ter faturado R$ 1,82 bilhão no acumulado dos sete primeiros meses, 5,4% menos que no mesmo período do ano passado. Só no último mês apurado (julho), o decréscimo foi de 10,69%. A fatia dos jornais caiu praticamente à metade na análise histórica dos últimos dez anos, conforme publicado na reportagem de avaliação semestral do relatório, na revista Meio e Mensagem.
Apesar do acumulado negativo, alguns jornais apresentam bons números. Comentando os resultados do primeiro semestre, o presidente do Valor Econômico, Alexandre Caldini, aposta na conversão digital como uma das formas de agregar receita. “Queremos levar informações para tornar bons negócios possíveis. Se vai ser mais digital e menos papel, é quase irrelevante”, afirmou à revista.
Mesmo com o aumento do faturamento em outros segmentos, a televisão foi o veículo de comunicação mais requisitado em mídia e, com isso, sua participação saltou para 66,78% dos investimentos. De janeiro a julho deste ano, foram gastos em televisão R$ 11,48 bilhões, montante que supera em 6,15% os R$ 10,82 bilhões do comparativo anterior.
No somatório de todos os meios, o investimento publicitário cresceu 3,11%, nos sete primeiros meses deste ano (R$ 17,19 bilhões), ante os R$ 16,67 bilhões do mesmo período do ano anterior.
Internet
Este ano, a oscilação negativa atingiu também o meio internet, que é subavaliado no relatório pela ausência dos maiores captadores de verbas publicitárias. O investimento informado ao Inter-Meios caiu 13,41% em relação aos sete meses de 2012, quando foi de R$ 857 milhões. Segundo a coordenação do Projeto, são várias as ações e iniciativas para agregar os faturamentos com propaganda do Google, Facebook e Buscapé, dados que elevariam a qualidade da amostra, com impacto na distribuição e participação dos meios. Conforme publicado, estimativas indicam que a falta dos números dessas três empresas retira do crescimento do bolo algo em torno de cinco pontos percentuais.
Guias
A mídia impressa em guias e listas está perdendo espaço no mercado publicitário. Conforme o relatório, em 2012, o faturamento destes veículos caiu 14,89% em relação aos R$ 319 milhões de 2011. Este ano, a queda foi ainda maior, somando R$ 107 milhões nos sete meses, 29,54% menos que os R$ 153 milhões faturados entre janeiro e julho do ano anterior.

O projeto Inter-Meios
Lançado em 1990, fruto da parceira do jornal Meio e Mensagem e dos principais meios de comunicação do país, o Projeto Inter-Meios abrange atualmente mais de 350 veículos e grupos de comunicação, conforme consta em seu portal na internet, onde são disponibilizados os relatórios consolidados mensalmente. Segundo matéria publicada na revista Meio e Mensagem (agosto/2013), em 2012, o projeto contemplou cerca de 80% das verbas publicitárias, pois ainda não mensura parte significativa do investimento em internet, jornais e rádios. O relatório é tabulado pela empresa de auditoria PricewaterhouseCoopers. São apurados mensalmente os valores aplicados em mídias em todas as regiões do País, sendo que na Sudeste se destacam os números dos estados do Rio de Janeiro e São Paulo (Grande São Paulo e Interior).

 
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