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Revistas: otimismo e nova era digital ( 25/11/2013 )

As transformações e desafios do mundo contemporâneo deram o tom das apresentações no VII Fórum ANER de Revistas, realizado em setembro, em São Paulo. Com palestras curtas, o fórum mostrou um panorama do mercado atual e casos de sucessos a uma plateia de cerca de 400 profissionais do mercado de revistas. “Temos leitores em nível satisfatório, o desafio é trazer retorno publicitário. Temos que criar mecanismos que ajudem nossas equipes comerciais”, afirmou na abertura o presidente da ANER e diretor-geral da Editora Globo, Frederic Kachar.
O publicitário Nizan Guanaes mexeu com a autoestima do setor, dizendo que vê uma “crise de identidade” nos discursos e sentenças fatalistas sobre o futuro das mídias impressas. Para ele, a tradição do mundo é mudar e esta transformação precisa ser aproveitada com as competências e as qualidades para gerar conteúdo que as empresas de comunicação têm. Justificando seu otimismo com os meios impressos, o publicitário encerrou sua participação com mais uma frase de efeito. “O presente é o cartão que acompanha as flores. E ele é impresso”.
Os anunciantes deram seu recado do que esperam das revistas. O gerente de comunicação e planeja-mento da Souza Cruz, Fernando Bomfiglio, diz que é preciso focar nas competências, olhar os fins. Para ele, o digital é mais um meio para se chegar até o consumidor e não vai substituir o contato físico. “Não espere exemplos. Foque no consumidor”, recomenda, lembrando as mudanças no mercado do tabaco, que desde 2000 tem regulação oficial que restringe as ações publicitárias.
Baseada em modernas ferramentas de gestão, a aplicação de recursos nas diferentes mídias varia de acordo com o negócio e o objetivo de cada ação, visando sempre retorno, impacto e relevância. É assim que decide como anunciante a diretora de Marketing Institucional do Itaú-Unibanco, Andréa Pinotti Cordeiro, como relatou.
Dentre as palestras, casos de sucesso como o crescimento da revista Superinteressante e a integração ente impresso e digital, impulsionando os resultados da Editora Abril. Explorada como mais uma plataforma para reforçar conteúdo, a edição digital ajudou a alavancar o faturamento, que cresceu 18%. Os dados apresentados pelo diretor de assinaturas da editora, Fernando Costa, mostram ainda que a base de assinantes aumentou 37%, saltando de cerca de 3,5 milhões, em 2005, para algo em torno de 4,5 milhões neste ano. Segundo ele, 90% deste total são assinaturas das edições impressas, 9% são os combos (que oferece as duas versões, juntas) e 1% tem acesso exclusivo às revistas pelo meio digital. Citando histórias de leitores tradicionais, o executivo avalia que o meio digital vai crescer a seu tempo, ressaltando que o core business da editora é gerar conteúdo relevante e com curadoria. “Não é pintar papel e nem vender tablete”, conclui.
As palestras também trouxeram experiências internacionais com modelos de pesquisas e negócios na era digital, com nomes como: o pesquisador do Professional Publishers Association, Marius Cloete, o consultor norte-americano Peter Kreisky e o editor espanhol Juan Giner.
Com exemplos de rentabilização do modelo digital ao redor do mundo, o diretor do ProXXIma/Grupo M&M, José Saad Neto, mostrou aos editores brasileiros o que de mais inovador vem sendo feito no exterior. Já o diretor da editora Globo, Alexandre Maron, usou a revista Época para listar dicas de como construir um bom site de revista. Enquanto a diretora da Ed. Abril, Helena Bagnoli, aproveitou a experiência da revista Capricho na gestão de redes sociais para inspirar os revisteiros. O jornalista Pedro Burgos mostrou como a mudança de hábito do leitor tem alterado a produção jornalística. E, o executivo da Google, Ronaldo Barreto, apresentou ferramentas e serviços da empresa para incrementar a apuração de reportagens.
Encerrando o evento, o presidente da Abril S/A, Fábio Barbosa, fez mais uma avaliação otimista sobre o futuro das revistas. Ele acredita que o aumento de renda do brasileiro, aliado ao crescimento dos índices de educação, fará surgir uma nova geração de leitores, que só será absorvida pelas revistas se os editores estiverem preparados para atender às novas demandas.

 
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