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Queda da pirâmide: Um sopro de alento encerrando um ano difícil ( 11/11/2011 )

Dezembro, finda um ano, planeja-se outro! Há doze meses, a euforia de que 2011 seria excepcional induziu muitos ao erro e o resultado ao longo do ano foi o excesso de estoques e as margens reduzidas. Para agravar, medidas de restrição encareceram e complicaram as importações.

Mas, o que era para ser um balanço negativo, um tanto pessimista, pode ganhar novos ares, com um fato novo que deve redefinir o mercado para 2012. Este acontecimento foi a Operação Pirâmide de Papel, deflagrada no dia 14 de dezembro, pelo Ministério Público do Paraná, pela Receita Federal e demais autoridades fiscais.

Como todos já sabem, doze pessoas foram presas, muitas estão sendo ouvidas e investigadas e outras tantas devem estar temero¬sas de ter suas negociações e nomes revelados na Operação.

É evidente que o esquema de fraude desmantelado no Paraná representa uma parte - talvez expressiva - dos desvios de finalidade do papel imune. Mas, não se enganem, a Operação pegou a ponta da teia da prática de ilegalidade disseminada pelo País, que deturpa e corrói o mercado de papel no Brasil. A ponta foi puxada, e assim como no jogo de dominó, não pode mais ser freada.
Para os distribuidores e empresas que operam séria e legalmente no Brasil, a Operação Pirâmide de Papel vem dar o alento de que -cedo ou tarde - os infratores serão punidos e que o mercado pode e deve apresentar melhoras significativas já nos próximos meses.

Por isso, reforçamos o alerta já dado - não basta parecer, tem de ser correto. Ater-se a comprar e vender papel para uma empresa que apresenta a documentação, não exime das responsabilidades legais quando a operação é fiscalizada ou o esquema é desvendado. Preços sabidamente baixos pressupõem ilícitos.

A queda da pirâmide deve expor todos os envolvidos direta ou indiretamente, inclusive os "desavisados" de plantão, que insistiam em alegar boa-fé, negociando com aqueles que ignoram regras e leis em nome do lucro farto e imediato. Mecanismos de controle e fiscalização não faltam às autoridades, sejam federais ou estaduais, e operações conjuntas como esta podem e devem se repetir.

Talvez 2011 possa ser considerado um período de duras e grandes lições para o setor, quando foram expostos erros e fraquezas, e foi testada nossa capacidade de união, coesão e recuperação.

Que possamos fazer desse "chacoalhão" a propulsão necessária para reconstruirmos as bases do mercado de papel no Brasil, dentro da legalidade e do profissionalismo.

Vítor Paulo de Andrade


Fonte: NewsPaper Edição nr 29 – Dezembro 2011

 
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