ADMINISTRAÇÃO  


Oportunidades disfarçadas ( 10/11/2015 )


Por Eduardo Piedade*

Houve um tempo em que descobrir e manter segredo sobre onde encontrar algo que alguém desejava era quase sinônimo de lucro rápido e grande sucesso no mundo dos negócios, mas os buscadores das redes globais de computadores tornaram secundário saber “o que e a onde” e passaram a valorizar a forma, tempo e uma série de elementos intangíveis como diferenciais capazes de gerar e fidelizar clientes pelo “como”, a preços que podem variar muito em cada operação.

Há mais de 20 anos assessoramos empresários e executivos na construção e implantação de estratégias que fortaleçam a governança corporativa, tudo para vencer ciclos econômicos de crescimento e recessão cada vez mais curtos em virtude do excesso de oferta da maior parte dos produtos e serviços e o aumento da complexidade dos mercados mundiais que impuseram as corporações um processo de gestão de mudanças quase permanente, nos quais os budgets flexíveis, inovação, qualificação e eficiência de curto prazo passaram a fazer parte da rotina.

Os nascidos antes de 1970 sabem que nesta época a nossa indústria automobilística produzia 750 mil carros com 106 mil empregados, que em 2013 foram 3,5 milhões com 130 mil, que ainda que considerados os privilégios concedidos ao setor não se pode esquecer que o período em questão também envolveu crises de energia e petróleo, crescimento pífio, salários arrochados, hiperinflação, a moratória internacional em 1987 e que foi só a partir de 1990 e após muitos planos econômicos malfadados é que veio pela iniciativa de um governo que sofreu um impeachment o processo que viabilizou a abertura e modernização da economia.

Sim; foi depois do caos que tivemos o plano real que permitiu controlar a inflação por meio de uma gestão mais eficiente das contas do governo com a lei de responsabilidade fiscal, metas de superávit, câmbio flutuante, estabilidade e fortalecimento dos salários, redução dos juros, ampliação de crédito e efetiva diminuição da desigualdade sócio econômica.

Lembre-se de quantas empresas, bancos e marcas simplesmente deixaram de existir e dos que passaram do anonimato a liderança de muitos mercados fazendo-nos refletir obrigatoriamente sobre as oportunidades que estão disfarçadas no meio da gestão dos processos de mudanças que as crises e esgotamentos dos modelos econômicos nos obrigam a vivenciar.

Creio que não há maior motivador econômico do que a necessidade de vencer desafios, pois quanto maior a necessidade, maior será a força e disposição para vencer, tal e qual a luta pela sobrevivência animal, por isso é possível afirmar que crises são um importante combustível da revolução; essenciais para eliminar o conformismo e gerar ciclos evolutivos de qualificação.

Ainda que indesejáveis, as crises trazem o vetor positivo de permitir a discussão e promovem avanços que em cenários de normalidade se quer seriam cogitados; salvo os desdobramentos mais graves que costumam surgir quando não ouvimos o mercado e absorvidos nas rotinas do dia a dia não percebemos os ajustes necessários ou as opções disponíveis para ajustar nossas operações ao cenário da complexidade mutante que caracteriza a globalizada economia atual.

Se é fato que bons e maus profissionais existem em todas as áreas, também é fato que boa parte dos desafios que as empresas vivem, possuem soluções que mesmo conhecidas jamais terão chance de ser implantadas sem se contratar um serviço de assessoria especializada, isso porque há uma rotina empresarial consolidada que busca preservar a paz e coibir toda e qualquer manifestação de intranquilidade que desagrade os donos do capital ou ponha em risco os empregos dos executivos e funcionários que trabalham no plano tático e operacional.

Por isso muitas empresas parecem preferir viver o “faz de conta que tudo está bem” até que alguma bomba estoure expondo a verdade e trazendo a tona desde questões societárias mal resolvidas a problemas nas áreas de gestão, negócios e finanças que se acumularam por meses ou mesmo anos sobre os olhos atônitos dos sócios em nome da convivência harmoniosa.

O resultado deste processo faz surgir a síndrome de apagar incêndios que também é sinônimo de queda nas margens, processos e controles redundantes, pouca inovação e baixa eficiência; como se fosse mais barato tratar da doença do que manter a saúde, o que torna a operação de correção extremamente onerosa e faz a empresa viver para si e se esquecer do seu cliente.

Sugerimos que reflita sobre algumas dessas questões, aplique sua experiência para identificar as “oportunidades disfarçadas” em cada detalhe da operação.

Veja um vídeo que trata da rotina das empresas em:
https://www.youtube.com/watch?v=LWWsH5BaRZc

* Professor, administrador, criador da metodologia de gestão integrada e qualificação permanente “DAUTP”, diretor da assessoria consultiva Knowledge Comunicação e Gestão. Membro da Plataforma e Centro Gerador do Conhecimento do Conselho Federal e Estadual de Administração

 
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