ADMINISTRAÇÃO  


CONCENTRAÇÃO É MAL QUE ASSOMBRA O SETOR DE PAPEL ( 10/05/2016 )

Capilarizado e diversificado para atender a demanda produtiva do país de dimensão continental, o mercado brasileiro de papel é tão atraente quanto complexo. Por isso, algumas perguntas podem receber respostas contraditórias, dependendo do interlocutor questionado. Uma delas seria: Qual o tamanho do mercado de distribuição de papel no Brasil e quem o atende?

Quem acompanha e faz parte da história do setor sabe bem das transformações vividas, seguindo mudanças econômicas e sociais da sociedade brasileira. Neste momento, os rumos setoriais estão pegando um novo curso.

Sim, a era da informação, os avanços tecnológicos e os meios digitais são motores acelerando transformações profundas e em processo no mundo todo. Mas, especificamente no Brasil, outro “fenômeno” tem precipitado um redesenho do mercado fornecedor de papel, sobretudo na oferta do produto estrangeiro. Até o início do ano passado, os usuários de papel contavam com dezenas de fornecedores, importadores. Agora, parte deles foi excluída do mercado.

A crise econômica pode até servir de argumento para alguns, mas, na prática, ajuda a mascarar distorções na competitividade. Afinal, os volumes de papéis consumidos e comercializados diminuíram substancialmente, como mostram as matérias estatísticas desta edição.

A redução do número de players em si não é um problema. Ao contrário. Pode até ser reflexo de amadurecimento setorial. O ponto crucial é o desequilíbrio de forças que já assola o segmento de papel cuchê. A produção nacional está nas mãos de um único fabricante, que tem capacidade limitada e inferior à demanda. Com isso, os usuários de cuchê dependem do produto estrangeiro.

Ao mesmo tempo em que o mercado retrai e os distribuidores importadores reduzem seus volumes, um único player aumenta suas compras externas de forma que sua participação salta de 12% para 35%. Uma concentração dessa ordem compromete toda a cadeia de negócios. Com o agravante de estar nas mãos de quem já controla a produção nacional!

O que vínhamos alertando, começa a ser sentido. A concentração é danosa aos distribuidores e igualmente aos consumidores de papel. Afinal, são fartos os exemplos de setores econômicos concentrados e dos estragos causados em outros elos da cadeia produtiva.

Acreditamos que a livre e saudável concorrência continua sendo o melhor nas relações comerciais e o meio eficaz de garantir a entrega dos papéis nos volumes e condições que a indústria gráfica e editorial precisa. Atender com excelência – mais do que missão e objetivo – é a verdadeira vocação do distribuidor de papel!

Vitor Paulo de Andrade
Presidente do Conselho Diretor

 
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