ADMINISTRAÇÃO  


Limite e reforma são medidas urgentes ( 08/11/2016 )

A conta é simples. A discussão é complexa. As mudanças são necessárias e urgentes. Toda empresa ou pessoa sabe que precisa manter equilíbrio entre o que ganha e o que gasta, e que o endividamento é uma opção, mas também uma armadilha. Nas contas públicas, a lógica é a mesma. Continuar gastando muito mais do que é capaz de gerar e, pior ainda, com as despesas crescendo a galope é acionar a bomba-relógio.

A opção feita até agora era cobrar mais e mais, elevando – a já insuportável – carga tributária a patamares surreais, desencadeando altos custos, sonegação, falta de competitividade e baixa produção. Um cenário de retração no qual todos produzem muito menos do que são capazes e consequentemente geram menos impostos que o previsto pelo governo, que continua sem receita e contamina cada vez mais a iniciativa privada. Isso sem falar na geração de emprego e renda.

Esse ciclo precisa ser rompido, pois as empresas e setores produtivos da economia brasileira operam com essa bomba armada sobre suas cabeças. Por isso, as medidas em discussão para conter e rever os gastos públicos são fundamentais. A chamada PEC 241 – Proposta de Emenda à Constituição que estabelece teto para os gastos públicos – é um dos remédios necessários para combater as distorções que afundam o País. Aprovado pela Câmara, o assunto está na pauta do Senado Federal. Apesar do acalorado debate em alguns segmentos políticos e sociais, a proposta deve ser aprovada e impor limites às contas públicas.

Conter os gastos é um importante passo, mas precisa ser seguido de outro: a reforma da previdência social. Da forma como funciona hoje, não há economia ou corte de despesas que seja capaz de manter o sistema previdenciário. Conforme estimativas do Tesouro Nacional, o saldo negativo da Previdência Social deve crescer para mais de 160 bilhões em 2016, como reflexo da queda brutal das receitas decorrente do aumento do desemprego e da crise econômica. No ano passado, o déficit foi de R$ 87,89 bilhões só na previdência geral, do INSS. Isso sem contar com saldo negativo do regime próprio dos servidores públicos, que aposentados recebem salário integral, que em 2015 somou R$ 72,5 bilhões.

Ou seja, o rombo fica cada vez maior. Nossos funcionários que hoje ajudam a pagar a conta da Previdência não têm garantias de aposentadoria e renda no futuro. Evidente que arrochar as empresas e os cidadãos não resolve a equação das contas públicas se os gastos forem limitados indiscriminadamente. O governo gasta muito e muito mal. É premente que sejam tomadas também medidas de eficiência e combate à corrupção.

Não tenho dúvidas de que nós – empresários – já fizemos nossos cortes, ajustes e reformas necessários e possíveis. Precisamos nos manter atentos às mudanças que virão e que comecem logo com a aprovação do teto dos gastos e a reforma da Previdência, imprescindíveis para a retomada do crescimento da economia brasileira.


Vitor Paulo de Andrade
Presidente do Conselho Diretor

 
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