ADMINISTRAÇÃO  


O livre-arbítrio e os empresários brasileiros ( 08/11/2016 )

Por Anibal Baptista*


Ao contrário dos animais, que basicamente agem por instinto, somos um reflexo de nosso Criador, no sentido de que somos capazes de demonstrar qualidades como amor e justiça. E, assim como Ele, nós temos livre-arbítrio.

Desde que damos os primeiros passos adquirimos a possibilidade de decidir, escolher em função da própria vontade, isenta de qualquer condicionamento, motivo ou causa determinante.

Escolhemos os amigos, esportes e brincadeiras, namoradas (os), automóveis, local de moradia, cursos e especializações, profissão, entre tantas opções que a vida nos oferece.

Enfim, por uma questão de opção, alternativa ou oportunidade, muitos se tornam empresários. Inúmeros são os motivos: liberdade, sucesso, dinheiro, viagens, bons restaurantes, ótimos carros, uma “legião” de funcionários a seu serviço, prestígio, avião, lancha, casa na praia, no campo, na serra, em outros países, enfim muitos planos e sonhos.

Na prática a situação é muito diferente. Os empresários no Brasil são submetidos a: regras, controles e programas desenvolvidos pelos fornecedores para monitorar o seu negócio; pressão dos clientes, utilizando de mecanismos normais de negociação e livre concorrência; exigências e o cumprimento de direitos trabalhistas; baixa produtividade do trabalhador brasileiro; e, principalmente, a uma carga tributária elevada e diria, ao mesmo tempo, tentadora.

Na teoria, empresas sadias são aquelas consideradas “empresas de valor”, que valorizam o meio ambiente, cumprem os compromissos sociais, pagam seus “pesados e injustos” impostos, apesar dos desvios e desmandos do erário, cuja origem é o suor dos trabalhadores e empreendedores.

Os governantes que deveriam preocupar-se com saúde, educação, transporte, segurança entre outros compromissos sociais, no entanto, miram na arrecadação. Inclusive transferindo suas responsabilidades fiscais e de regularidade para as empresas, tornando-as vulneráveis, em face de inúmeros decretos e portarias existentes.

Atualmente, diversos setores do empresariado, passam por uma situação difícil, por vários motivos, sejam administrativos, financeiros, fiscais ou legais.

Seria previsível? Acreditamos que sim. A tecnologia está avançando rapidamente e os mecanismos de controle, por parte do governo, estão cada vez mais eficientes.

Uma das alternativas seria antecipar aos acontecimentos e providências, enquadrando as empresas nos atuais e futuros parâmetros legais, lembrando que em 2018 deverá ser implantando o “Bloco K”, ou seja, mais um mecanismo de controle governamental. Lembramos um velho ditado, tomar providências após os acontecimentos é o mesmo que “colocar fechadura depois da porta ser arrombada”.

Empresas viáveis são aquelas que conseguem extrair e maximizar os três mecanismos disponíveis, ou seja, o lucro operacional, lucro financeiro e o lucro de inventário, em detrimento às praticas pouco convencionais de transformação de impostos e tributos em lucro real, desconsiderando o modelo de cálculo EBITDA, que atribui o valor da empresa.

Como mencionamos anteriormente, é muito tentador e ao mesmo tempo revoltante ver os vultosos valores cobrados pelos governos, que os tornam sócios majoritários apenas nos lucros do nosso negócio.

Essa é uma luta coletiva que só poderá ser vencida ou amenizada se as empresas estiverem sob a égide de Associações, Sindicatos, Federações, depois de cumpridas as exigências legais que permitam ação consistente.

Vamos exercer o livre-arbítrio com responsabilidade e consciência. Apesar de a decisão ser isolada, os efeitos danosos se refletem na coletividade.


Anibal Baptista* Administrador, graduado em política e estratégia, executivo do setor de distribuição há 28 anos, sócio da Central Advance de Distribuição

 
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