ADMINISTRAÇÃO  


Ventos favoráveis e janelas de oportunidades ( 13/03/2017 )

Por Vicente Amato Sobrinho*

A economia brasileira parece ter transposto a barreira entre a recessão e a recuperação. Os comentários dos analistas agora estão mais centrados em se já chegamos ou se estamos próximos do ponto de inflexão. Fato é que o desempenho melhor do PIB, a queda dos juros e da inflação, a estabilização da moeda, além de uma série de outros indicadores, estão apontando para a retomada das atividades e, principalmente, da confiança do empresariado brasileiro.

Pelo que vemos nos jornais, o momento é favorável também pela conjuntura mundial, que indica melhores perspectivas. É claro que o cenário internacional conta com o imponderável do novo presidente norte-americano que, se colocar em prática suas promessas de campanha, pode provocar turbulência em muitas áreas. Mas, a sólida democracia dos Estados Unidos tem demonstrado que o Congresso, o próprio Partido Republicano e a mídia devem se encarregar de contê-lo.

Obviamente não há solução imediata ou milagrosa, tampouco indolor, para sair desta crise econômica. O governo precisa fazer os ajustes necessários para que os sinais positivos se consolidem. Algumas medidas já foram aprovadas, como o limite dos gastos públicos, e outras reformas estruturais bastante espinhosas precisam ser enfrentadas, a bem do futuro do País. O componente político ainda é uma variável de risco, mas é preciso isolá-la para reduzir o ruído que cria sobre a economia, com pontuou o economista Luiz Carlos Mendonça de Barros. Aliás, o economista bem lembra que durante a crise era uma das vozes dissonantes que negavam o caos e o abismo, e apontavam para a recuperação cíclica da economia brasileira. Faço votos de que o especialista acerte também em sua mais recente previsão: de que a partir de 2018, com a eleição presidencial, o Brasil tem condições de entrar em um novo período de crescimento sustentado.

Como parte da engrenagem, o setor de papel segue o ritmo da economia. Como tratamos aqui na última edição, 2016 foi um ano de adaptação, marcado pela redução do volume dos negócios e da fatia de mercado disponível para segmento de distribuição, exigindo uma postura mais realista em matéria de preços e custos para ter rentabilidade. Agora, a brisa que, no final do ano passado, começou a refrescar o clima tenso do mundo dos negócios parece ter ganhado vigor, transformando-se em ventos favoráveis. A melhora dos indicadores da economia e do ambiente de negócios revela janelas de oportunidades que, se aproveitadas, podem fazer de 2017 um ano melhor do que se espera para todos nós.

* Presidente executivo da Andipa, presidente do Sinapel, diretor da FecomercioSP e conselheiro do Sesc


 
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