ADMINISTRAÇÃO  


Mudanças são necessárias ( 15/05/2017 )

Mudanças são necessárias para o enfrentamento de questões essenciais

Determinadas questões graves podem ser minimizadas diante de um contexto geral – digamos – mais favorável. Esta é uma condição facilmente detectada no Brasil, onde há muitas carências, inclusive uma educação pública de qualidade – humana, formal e técnica – para preparar a mão-de-obra nacional, da mais simples a mais sofisticada atividade. A nossa falta de competitividade é gritante, mas ainda assim a economia brasileira viveu picos de crescimento e bons resultados. A carga tributária é insuportável, mas o aquecimento conjuntural dos mercados passou a sensação de que empresas e consumidores ainda tinham fôlego. O estado brasileiro ineficiente consome boa parte da geração de riquezas do País. Isso sem falar na corrupção!

As máscaras foram caindo e as crises se instalando, exigindo mudanças. Já não podemos mais suportar problemas cruciais que vinham sendo atenuados pela economia aquecida – ou mesmo estabilizada! Deixando de lado as condições, ações e omissões que nos conduziram até aqui, fato é que chegamos a uma verdadeira encruzilhada: de um lado um caminho difícil e do outro o penhasco. É tão evidente quanto necessária, a urgência de reformar antigas práticas que são graves entraves ao futuro do País, de todos os brasileiros, sejam empresas ou cidadãos.

Como já falamos aqui, pôr um freio nos gastos e equilibrar as contas públicas são medidas essenciais e urgentes. O governo tem conseguido avançar neste sentido. Evidentemente enfrentando muitos obstáculos. As propostas das reformas trabalhista e da previdência podem não ser as melhores possíveis, mas certamente corrigem algumas distorções, minimizam outras e criam um ambiente mais favorável à retomada da atividade econômica no Brasil. E, quanto mais pautada na competitividade, mais longínqua e promissora será a economia nacional. Para isto, as ações até agora não bastam! É preciso que se façam também as reformas política e tributária!

O setor papeleiro está sendo chamado – e desafiado – a evoluir

A situação geral do País é muito parecida com o que vivemos setorialmente. Em tempos de demanda em alta e negócios pujantes, questões concorrenciais, tributárias e até estruturais pareciam estar contornadas. Quando a produção gráfica e editorial reflete a economia retraída é como se tivéssemos uma lupa ampliando os malefícios dos obstáculos que já estavam convenientemente instalados.

Assim como o Brasil, o setor papeleiro está sendo chamado – e desafiado – a evoluir. Além dos entraves comuns a todos os segmentos econômicos, nosso mercado sofre com medidas protecionistas que atendem a interesses de uns em detrimento do coletivo produtivo. Prova disso é a alíquota de 14% do imposto de importação no papel, um insumo básico da indústria gráfica e com produção nacional insuficiente para atender a demanda. Ou ainda, a sobretaxação das importações de LWC por suposto dano a uma empresa que produz uma pequena parte do que é consumido por centenas de gráficas e editoras. Assim como, também são sobretaxadas as importações de chapas para impressão ofsete.

A manutenção do statu quo pode até servir ao interesse individual pontual. Porém, hoje é impossível ignorar que a concentração expõe o mercado gráfico e editorial a uma dependência que não condiz com sua capacidade, qualidade e potencial diante da economia globalizada. Acredito que as lideranças das entidades gráficas e editoriais concordam com o posicionamento da Andipa em defesa da livre, legal e leal concorrência.

As mudanças são necessárias. Se enfrentarmos juntos as dificuldades do caminho, estaremos fortalecendo a produção gráfica e editorial, o mercado papeleiro e o Brasil!


Vitor Paulo de Andrade
Presidente do Conselho Diretor

 
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