ADMINISTRAÇÃO  


Cai importação de cuchê ( 29/12/2015 )

A combinação de estoques altos e demanda em baixa tem evitado a falta de papel revestido – o cuchê – para abastecer o mercado brasileiro. Na avaliação da Andipa, a qualquer momento a indústria gráfica começará a sentir os impactos da escassez de cuchê estrangeiro, uma vez que muitos importadores estão reduzindo ou adiando novos pedidos em função das condições econômicas e dos preços praticados no mercado, por vezes mais baixos que o custo de para internalizar o produto.

Além de não conseguir vender o papel a preço que remunere os altos custos com transporte, desembaraço do produto nos portos e impostos, os importadores apontam outros fatores que podem levar à falta de cuchê: o principal é a redução do número de empresas ofertantes. Outro agravante é o tempo que leva entre a decisão de importar e a disponibilidade do papel para a impressão. Em geral, o prazo médio é de 90 dias entre a colocação do pedido e o desembaraço do produto nos portos brasileiros.

A importação anual de papel cuchê já chegou a 360 mil toneladas, em 2010 e 2012, caindo para 303,9 mil toneladas em 2013 e 272,7 mil toneladas no ano seguinte. A linha descendente se acentuou desde o inicio de 2015. No acumulado dos onze meses, as entradas desses papéis somaram 149,8 mil toneladas, queda de 41% em relação ao mesmo período de 2014. Em novembro, entraram no país 7,3 mil toneladas de papéis revestidos, o menor volume para um mês da série histórica iniciada em 2009. Os dados da Secex são referentes aos volumes registrados nas quatro NCMs (4810.13.89, 4810.13.90, 4810.19.89 e 4810.19.90), que englobam diferentes formatos e especificações do papel revestido.

Único fabricante nacional de cuchê, a Cia Suzano anunciava em outubro de 2015 – na Apresentação Institucional aos seus acionistas – que sua capacidade para produzir papel revestido era de 190 mil toneladas, sendo 90 mil toneladas na planta de Suzano, que foi transformada em flex para a produção de celulose fluff. Prevista para iniciar em 2016, a produção de celulose foi antecipada para o dia 18 de novembro, conforme noticiado pelo Jornal Valor Econômico, em matéria do dia 08 de dezembro. E, de acordo com o informado, a máquina adaptada poderá ser “usada para a fabricação de papel ou de celulose fluff conforme o momento de mercado”.

A necessidade do produto estrangeiro faz até com que a própria Suzano recorra à importação de cuchê para ofertar ao mercado doméstico, ainda que declare tratar de pequenos volumes. O papel revestido é utilizado pela indústria gráfica em peças promocionais, encartes, revistas e livros sofisticados, como de fotografia e arte. Com produção nacional restrita, a atividade do setor gráfico depende do fornecedor estrangeiro para uma de suas principais matérias-primas. Alguns números ilustram discussões e apresentações do setor sobre o tamanho do mercado de cuchê no Brasil, principalmente quando o tema envolve a imunidade tributária, aplicada ao papel destinado exclusivamente à impressão de livros e revistas. A Andipa entende que, independentemente do produto final e do enquadramento tributário, o papel revestido é item essencial na produção gráfica nacional. Por isso, defende a livre concorrência e acesso à importação.

 
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