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SNEL espera que o preço médio dos livros cresça ( 29/02/2016 )

SNEL espera que o preço médio dos livros cresça perto da inflação, este ano

A aceleração da inflação e a desvalorização do Real, com forte impacto no preço do papel, devem fazer com que o preço médio dos livros tenha um crescimento mais próximo à inflação este ano. A avaliação é do presidente do Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL), Marcos da Veiga Pereira, que falou ao NewsPaper sobre as perspectivas para o mercado, diante do cenário adverso da economia brasileira. Ele explicou que as editoras tiveram muita dificuldade de repassar a inflação para o preço dos livros nos últimos anos. “A queda acumulada desde 2004 é de 40% (quarenta por cento), considerando os preços constantes. Acho impossível que este quadro não se reverta”, ressalta.

Considerando os livros que foram efetivamente vendidos pelos canais de vendas, 2015 deixou alguns resultados positivos para o setor. O volume de vendas por períodos ao longo de 2015 oscilou entre o crescimento de 26,9% (entre abril e maio) e a queda de 7,5% (em dezembro), no comparativo equivalente do ano anterior. No consolidado anual, a variação foi positiva de 2,5% em exemplares e 3,43% em valores, o que representa queda de 7% quando considerada a inflação anual de 10,67%, conforme a pesquisa do “Painel das Vendas de Livros no Brasil”, de janeiro de 2016.

O presidente do Sindicato explica que 2015 foi um ano marcado pelo fenômeno dos livros de colorir, que trouxeram um crescimento forte ao mercado no primeiro semestre. Outro ponto favorável foi o recorde de público na Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro no final de agosto/início de setembro. No entanto, ele diz que as vendas no varejo decepcionaram no final do ano, particularmente no Natal. “Mas qualquer saldo positivo no ano passado é motivo de comemoração”, afirma Marcos da Veiga Pereira.

A análise mais detalhada do desempenho do mercado editorial no país é feita com base na pesquisa “Produção e Vendas do Setor Editorial Brasileiro”, realizada anualmente pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE) a pedido do Sindicato e da Câmara Brasileira do Livro (CBL). O levantamento de 2015 está na fase de coleta de dados e deveria contar com a participação de todos os editores que publicam pelo menos 5 títulos novos por ano. Segundo o SNEL, o censo setorial realizado em 2009 identificou que o universo total de respondentes era próximo de 500 empresas. No entanto, a média nos últimos anos tem sido próxima a 150 questionários respondidos, que representam 70% do mercado.

As informações mais importantes apuradas na pesquisa são a produção de títulos por categorias e as vendas por subsetor, separadas em vendas aos governos (federal, estaduais e municipais) e ao mercado. Com isso, o setor pode mapear melhor o mercado editorial que tem seus desafios particulares.

Conforme o presidente do Sindicato, um grande problema para a indústria editorial brasileira é a sua dependência das compras governamentais, que chegaram a representar 27% do faturamento anual. Com as dificuldades de orçamento os programas de bibliotecas foram cortados em 2015 e devem continuar restritos em 2016.

“A crise infelizmente acirra a competitividade, o que muitas vezes gera guerras de preços e promove uma diminuição geral da rentabilidade da indústria, enfraquecendo-a com um todo”, diz Marcos da Veiga Pereira, acrescentando que um enorme desafio para 2016 será o encaminhamento do Projeto de Lei 49/2015, da senadora Fátima Bezerra, que estabelece regras para os descontos praticados nos primeiros 12 meses do lançamento de cada título, a exemplo do que existe na França, Alemanha, Japão e vários países do mundo.

 
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