ADMINISTRAÇÃO  


Setor de revistas mostra sua potência e discute os desafios ( 10/05/2016 )

Mais de quatro mil títulos que atingem 67 milhões de leitores com perfil de consumidores e formadores de opinião. Apenas estes dois dados do mercado brasileiro de revistas, extraídos do Factbook 2015, indicam a dimensão e potência deste meio de comunicação, que tem discutido seus desafios tanto como mídia impressa, quanto como produto digital rentável.
Os detalhes sobre o perfil do leitor de revistas, sua distribuição geográfica e relação com as marcas e o consumo estão no livro Factbook 2015, lançado pela Associação Nacional de Editores de Revistas (ANER), com dados compilados pelos institutos IPSOS e IBOPE, com o objetivo de comprovar a eficiência publicitária do meio. Com isso, o setor está enfrentando o que o presidente da Aner, Frederic Kachar, apontou como seu principal problema: a perda de receita com publicidade.
Em março, a Aner reuniu cerca de 120 pessoas para discutir “os desafios da mídia impressa”, um evento programado a partir do IX Fórum Aner de revistas, realizado em novembro de 2015, que teve como tema central “Em busca de um novo modelo”. Conforme explicou Kachar, no Fórum as discussões ficaram mais focadas “no desafio de monetizar a audiência online”, evidenciando que a força do impresso demandava um evento específico e exclusivo.
Mesmo focado na força da página impressa, o evento de março trouxe casos de veículo digital, como criado pela empresa homônima Minha Vida, que nasceu online produzindo conteúdo e com receita de assinaturas. De portal e revista, a empresa migrou para os aplicativos. “Canibalizamos nosso próprio mercado para enfrentar a concorrência, que hoje é global”, disse a diretora de marketing da empresa, Marcia Netto.
O digital permeou a maioria das falas, demonstrando que assim como o público, as revistas precisam estar em todos os lugares e em todas as plataformas. “É preciso sair da zona de conforto que não é nada confortável”, afirmou Marcelo Serpa, sócio presidente e diretor de criação da AlmapBBDO, na palestra com ‘provocações para reinventar o produto revista’. Segundo ele, as marcas de revistas têm de ter excelência em qualquer meio e não se apegar ao papel, mas sim ir muito além dele.
A qualidade editorial e o fazer revista em tempos de equipes enxutas e de “borderôs baixos” foram assuntos de profissionais das redações. “O editor de revista hoje precisa ir além do jornalismo, precisa ser administrador”, afirmou Paula Bueno, editora chefe da Revista Pense Leve. Nestas condições, Gisele Vitória, diretora de núcleo da Editora Três, coloca que a valorização das pessoas é um dos pilares para enfrentar o desafio de qualidade.
Modelos de assinatura, publicidade reduzida, nichos de mercado como os colecionáveis, marcas fortes, circulação, crise econômica e o futuro das gráficas também foram temas de apresentações. Uma síntese, após o dia de palestras, sugere que os desafios da mídia impressa passam por ter profissionais altamente qualificados e criativos para produzir excelentes e exclusivos conteúdos, com capas fortes, para atrair e reter leitores (tanto de banca, quanto o assinante) e anunciantes.

NEWSPAPER ED. 50

 
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